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Música

Maroon 5, na série “bandas que voltam a ser bandas”.

Título: Overexposed
Gravadora: A&M/Octone Record
Lançamento: 26 de junho de 2012
Single-chefe: “Payphone” part. Wiz Khalifa
Arte da capa: Nicholas Van Hofwegen. Segundo o vocalista Adam Levine, a capa representa a exposição excessiva a qual os artistas se submetem quando entram na indústria da música. Foi uma colaboração de vários ilustradores.


Depois da banda britânica Keane fazer seu retorno às origens, foi a vez do Maroon 5 dar a certeza aos fãs (e a eles mesmos) que não repetiriam o álbum medíocre que foi Hands All Over, lançado em 2010, do qual as faixas Misery (que ganhou cover em “Glee” pelos meninos da Dalton Academy Warblers) e Moves Like Jagger são as únicas lembráveis, e isso porque viraram um hit grudendo na cabeça das pessoas em 2011 – 2012.

No dia 26 de março desse ano, a banda anunciou em seu site oficial o título do álbum – Overexposed – e sua capa, que já foi caracterizado de antemão como “o álbum mais pop e diversificado até então” da carreira da banda. Foi no dia 16 de abril seguinte que o primeiro single do CD foi oficialmente apresentado, na versão americana do programa The Voice, onde o vocalista Adam Levine era mentor na época, e que teve recentemente seu contrato renovado para a terceira temporada do programa. A música escolhida foi a grudenta e fofa Payphone, que conta com a participação – mesmo que pequena – do rapper Wiz Khalifa, e que já tem clipe oficial há algum tempo.

Lembram da descrição do Adam pro álbum? De que ele seria o mais pop e diferente? Overexposed foi finalmente lançado hoje e quem já ouviu sabe que o vocalista não poderia estar mais certo. A primeira impressão que fica quando você ouve todas as faixas naquela mudança louca de gente que tá ouvindo um álbum pela primeira vez é cuspir no chão, dizer que é comercial e tacar o álbum pela janela.

Se você for fã, gostar o suficiente da banda, ou tiver amor pelo dinheiro que você pagou na cópia física para ouvir o álbum de novo, sentadinho na cama e prestando atenção nas músicas e nas letras, vai entender porque o álbum já rendeu mais estrelas que seu antecessor, e porque tem mais material para ser sucesso.

Sonoramente falando, “One More Night” e “Payphone” uma seguida da outra logo no começo fazem com que a primeira experiência com o álbum seja uma delícia – e garante que as duas já fiquem na sua cabeça. Depois, a banda quebra um pouco o agitado numa música cujo começo parece um mix de “Laserlight” e “Titanium“, ambas músicas do David Guetta em parceria com Jessie J e Sia, respectivamente, mas que no refrão se mostra bem diferente. Vale ressaltar que nessa faixa, e algumas outras, Adam Levine abandona a voz aguda na maior parte do tempo, e canta em um tom mais grave que pode soar estranho a priori, mas que no final da música cai muito bem no artista (devo confessar que estou ansiosa pra ouvir esse tom numa performance ao vivo).

As faixas seguintes – “Lucky Strike”, “The Man Who Never Lied”, “Love Somebody”, “Lady Killer” e “Fortune Teller” – trazem na sonoridade uma coisa que lembra a nova música do Scissor Sisters, “Only The Horses” e isso agrada bastante pra quem estava esperando o dançante. Aí está o pop que foi tão comentado. Um ritmo envolvente e bem comercial andando de mãos dadas com letras boas, algo inédito em músicas desse gênero e que os meninos do Maroon 5 souberam fazer com maestria.

Para os fãs do álbum de estreia da banda, Songs About Jane, “Sad” é um presente. É a única música do álbum que está claramente com um pé nas referências daquela época, e isso me fez abrir um enorme sorriso. A letra é divina, a melodia é envolvente e ela é absolutamente necessária no meio de todo aquele pop dançante que veio antes.

Os grandes diferenciais do álbum ficam por conta de “Beautiful Goodbye”, que é o hit de verão que todo álbum do universo deveria ter. Tem uma batida delícia com um violãozinho no começo que depois se transforma em algo mais parecido com um reggae – e com “Summer Paradise“, novo single do Simple Plan – e que faz o finalzinho do álbum valer a pena. Outro diferencial é “Wasted Years”, que possui um ritmo interessante que pode ser encontrado naquelas músicas antigas de bar a lá Moulin Rouge (e aquele episódio de One Tree Hill, 6×11, que se passa em 1940).

Quem chega até o final do álbum se depara com duas surpresas – um cover de “Kiss”, do Prince (uma das referências mais claras da banda), que ficou melhor até que a versão original, me atrevo a dizer, e o desnecessário re-lançamento de Moves Like Jagger, sem alteração nenhuma. Faixa jogada no álbum de qualquer jeito, uma vez que o cover teria fechado a seleção com chave de ouro.

Resumo da ópera: é um álbum pop SIM, mas que vale a cópia física em casa. Merece as estrelas que muitas críticas já deram, e a banda merece pelo esforço em compensar o fracasso mascarado de Hands All Over. 4,5 pra vocês, seus lindos!

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